Indo de cima para baixo na página inicial do facebook foi que te vi. Meu foco não foi ela, se bem que poderia ter sido, mas foi o post. Era um compartilhamento de uma imagem onde uma jovem adulta (que se sente adolescente) estava deitada no chão com a seguinte legenda:

“Quando uma pessoa pedir pra você escutar uma música é porque a letra diz tudo o que ela queria poder te dizer.”

Juro que a primeira música que veio em minha cabeça foi “Cerol na Mão” do Bonde do Tigrão.

“Quer dançar, quer dançar, o Tigrão vai te ensinar.”

Eu realmente quero te ensinar a dançar. Antes tenho que aprender, mas tenho grande confiança em meus movimentos instintivos e naturais. Sou um dançarino nato. Desço até o chão, bato na palma da mão, martelo o martelão e dou uma rodadinha que olha. Sensacional.

Não é preciso muito para perceber que esse não era o intuito da imagem acompanhada de uma imagem romântica, até apaixonada. Um pouco sofrida.

Mas.

Não consigo evitar. É quase um tique nervoso. No meio da manhã, no meio da tarde, enquanto escovo os dentes, quando levo meu cão imaginário pra passear, quando respiro o ar fresco do mar… Toca um funk na minha cabeça. Toca um sertanejo. Toca um MPB. Olha, toca qualquer coisa, principalmente se essa coisa tiver sido feita há mais de dez anos.

Minhas colegas de trabalho não suportam esse tique. Do nada, literal e verdadeiramente, começo a cantar, em bom tom, algum destes clássicos da música brasileira.

É festa de cowboy. Não dá pra ficar parado. Eu me amarrei, eu me amarrei no seu coração. São as cachorras, as preparadas. Glamurosa, rainha do funk. Deu mole pra caramba. Tremendo vacilão. Uma deusa, uma louca, uma feiticeira. Ela é demais.

E a dona desse post, realmente, sejamos justos, ela é demais. Ela não sofre, ela curte a vida, ela é feliz, ela é bandida.

E digo mais. Estou apaixonado. Este amor é tão grande (e-e-e).

Estou apaixonado e só penso em pirilim pirilim pirilim, alguém ligou pra mim.

Cálice. Afasta de mim esse cálice. Tá chapada, tá doidona, tá descendo até o chão.

Olha que situação.

Meus amigos desconhecem um pouco esse meu lado. É mais quem trabalha comigo que tem que aguentar.

A sorte deles é que eu sou afinado. Eles continuam reclamando e dizendo que não sou, mas quê que eles sabem, né? Ah, perai. Olha lá quem vem virando a esquina. É Diego!

Estou me prolongando. Vou finalizar antes que se afastes do meu ritmo. Por favor, não se vá, querida leitora, querido leitor. Como se eu fosse flor, você me cheira?

O que é imortal (aa-al) não morre no final. E se distante é assim…

(Isso não vai ter fim.)

(Nem que eu quiser você sai de mim.)

(Não dá.)

Obs: Eu era apaixonado pela Patrícia do Rouge quando eu era mais novo.

Ass. Daniel Cousland

——————– || ——————–

Este texto veio a mim de forma bem natural. Vi o post citado e BANG! BANG! Dei meu tiro certo em você. BANG!

Hehe.

Aí surgiu a ideia e o processo de escrita foi muito suave.

Espero que tenham gostado! Este, além de ser uma narrativa que pode ser vista como como conto curto, também foi o primeiro blog do meu Eu personagem.

Esta semana postarei um texto extra na terça ou quarta-feira. 🙂

.

.

O autor reconhece as marcas e patentes comerciais das músicas referenciadas. A publicação/uso destas não é autorizado, associado ou patrocinado pelos respectivos representantes, apenas citadas e referenciadas como parte de uma visão sobre a cultura musical brasileira dentro da percepção do autor.

Anúncios