Tenho escrito bastante. Não é de hoje, já tem um bom tempo, mas tenho. Em cada novo conto e poema… Mais próximo, mais distante, dissociação de mim. Muitos dos contos já feitos ainda serão revisados mais algumas vezes, e então pretendo os lançar oficialmente no futuro. Alguns curtos diretamente por aqui, outros mais longos em formato bonitinho de ebook.

Mas achei que seria de bom tom postar alguns trechos desta minha jornada, agora que dou início a minha página no facebook (você pode acessá-la aqui), onde postarei citações de artistas e autores que inspiram e refletem o viver.

Como escritor, cresço a cada novo texto. Maneiras distintas de se usar palavras, organizar letras, enredar pensamentos. Então ponderei, de visual novo, por quê não mostrar alguns fragmentos destas minhas vísceras evolutivas por aqui? Espero que gostem e sintam vontade de ler mais. Aos poucos meu acervo vai aumentando… E novas doses de literatura surgem de mim.

Destinos inevitáveis e seus pensamentos descabidos

                Se você soubesse, sem sombras de dúvidas, o dia exato do início e término de um relacionamento seu com alguém, antes de sequer conhecer a pessoa… Você o faria? Talvez o questionamento lhe soe um pouco bobo, não sei, mas para e pense. Não vivemos nossa vida na base de certezas, muito pelo contrário, sedimentamos nossos alicerces existenciais na garantia de encontros aleatórios de calmarias e tempestades de areia. Não temos segurança alguma, absoluta, sobre nada. Mesmo assim, por um acaso do destino, mais especificamente uma visita a uma cartomante, eu tinha uma informação cem por cento garantida. Comecei o namoro no exato minuto previsto, só percebendo o acaso inexistente momentos depois. Hoje… Bom. Fizemos três anos de namoro. Em dez dias? O fatídico dia em que nosso amor termina.

Esse conto contará [ 🙂 ] a história de Amanda e Clarissa. Regada a muito romance e reflexões internas, abordando a visão de Amanda sobre estes possíveis últimos dias de relacionamento – pelo menos é o que ela acredita. Sem saber o motivo do fim, sua mente andará por vastas porções de sua mente, ansiando e temendo um porquê, perdida no sentimento por sua amada.

                Hoje peguei-me a observando, quase sem piscar, ao longe no mar. Em desespero meus olhos começaram a lacrimejar, tão secos. As lágrimas desciam adocicando meus lábios. Tão linda. Tão minha. À medida que ela se aproximava, caminhando pela areia, nossas bocas tomaram formas largas e apaixonadas.

                Ah, como eu amo esta mulher.

E outro:

O poeta pragmático

                Uma obsessão visceral me consome. Perco-me nos frangalhos que me restam. Ainda assim, o que me foi devorado permanece, existe na forma física, até mesmo na espiritual, mas não a sinto. Sou como restos rasgados de um tecido outrora belo. Sou pura convicção de que, acima de tudo, preciso ter sua aprovação. Ah, Joaquina, volte a me amar.

Este é um texto sobre os extremos da obsessão. Um de meus primeiros experimentos com grande foco em enredo (mas claro, sem esquecer da linguagem, jamais). Não vou revelar mais nada dele, pois penso que cada surpresa que ele traz se torna muito divertida ao leitor (principalmente ao despreparado).

Uma história de sentimentos e memórias

                Minhas palabras. Digo. Pálpebras. Teimavam em fechar, indiferentes a quaisquer esforços que viessem a antagonizar tal ato. Sendo justo, eu estava “atacado pela sinusite”. A viagem da Espanha para o Brasil me deixara frágil. Certos estímulos revolveram certas facetas de meu cerne: um relacionamento terminado por mensagem poucos minutos antes da viagem; ligações ignoradas; ar condicionado incessante; língua queimada no café; choro escondido avistado pelos assentos mais próximos.

                Eu estava uma bagunça. E agora, meio doente.

Uma vivência de pós-termino. Bem idealizada. De muito relembrar. O narrador é um escritor e o mesmo vive, através de sua escrita, em dois momentos temporais. O agora e o como foi.

Bom, acho que mostrei bastante do meu lado romântico. Mas não é só disso que somos feitos, certo? Muitos de meus textos também trabalham com conceitos de angústia e teor psicológico… Mas aos poucos vocês poderão notar por si mesmos.

Vasculhando meu acervo, por acaso encontrei um poema de nome muito coerente ao meu ponto anterior. Temos muito lados. É sempre rico conhecermos mais deles.

Não se deixe enganar

por Daniel Cousland

Este mosaico
resplandecente,
Sutil e lindamente
Vítreo

Antes pedaços pontudos
Cortavam a quem se aproximasse
Cacos de vidro disformes
De inconsequente maldade

Agora, por pouco
Figura tão bela, aceita,
De exterior padronizado
Ao menor erro do passo
novamente frangalhos

Porém observo, realmente não se deixe enganar. Romance, tristeza, fantasia, palavras, imaginação, construções psicológicas e loucura todas correm em minhas veias. Tudo é uma mistura. Amálgama de vivências e leitura.

E espero que você venha me ler.

(mas admito, lendo este post noto: sou mais romântico do que penso ser)

Então lá vai, início de outro poema. 

Estávamos juntos
Olhávamo-nos com ternura
Corpos próximos, quase tangíveis
Sua mão me acariciava o rosto
leve, afetuosa
Minha face outrora seca
sorriso puro
Seu dedo passeava por minha bochecha, queixo e pescoço
Instigava-me
A amar

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